A Miopatia Congênita Centronuclear é uma doença que causa muitas exclamações, mas também, interrogações. Sempre que as pessoas chegam até mim para questionar sobre minha doença, elas fazem uma exclamação dizendo, “nunca tinha ouvido sobre sua doença !”, e em seguida questionam como ela me afeta, e mais uma vez elas exclamam dizendo, "puxa vida !", e por ultimo exclamam novamente, “essa é uma super rara !”, daí respondo, "sim, no pé da palavra, ela é uma Doença Rara ou talvez uma Doença Ultrarrara.
A Miopatia Congênita Centronuclear decorrente de mutações no gene RYR1 é classificada como Doenças Raras ou Doenças Ultrarraras ?
Entender essas condições é essencial para oferecer o suporte adequado e assegurar abordagens terapêuticas personalizadas tanto para o paciente quanto para seus familiares. Doenças raras nem sempre recebem a atenção que merecem porque afetam relativamente poucas pessoas. Muitas vezes, pode levar anos para que uma pessoa receba o diagnóstico correto de uma doença rara, e cerca de 95% das doenças raras e ultrarraras ainda não têm tratamento.
Diferentes partes do mundo, as doenças raras e ultrarraras são identificadas e tratadas de maneiras diferentes, mas de um modo genérico a definição é mais ou menos assim:
Uma Doença Rara é aquela que acomete no máximo 65 pessoas a cada 100.000 habitantes, o que corresponde a uma prevalência aproximada de 1 para cada 1.500 indivíduos. A maior parte dessas condições tem origem genética, embora algumas possam surgir devido a fatores infecciosos ou relacionados ao sistema imunológico.
A Doença Ultrarrara, como o próprio nome indica, corresponde a condições ainda mais incomuns, com uma incidência de cerca de 1 caso para cada 50.000 indivíduos. Por serem extremamente infrequentes e pouco conhecidas, essas doenças geralmente apresentam maior dificuldade diagnóstica e exigem cuidados altamente especializados e personalizados.
Com relação à questão levantada no início do texto, a prevalência exata da Miopatia Congênita Centronuclear causada especificamente pela mutação no gene RYR-1 é desconhecida.
A dificuldade em determinar um número exato ocorre porque:
• Ela é uma doença ultrarrara por estar dentro de um grupo de doenças já raras, as Miopatias Congênitas.
• Os dados epidemiológicos costumam ser apresentados para a Miopatia Congênita Centronuclear (MCCN) considerando o conjunto das patologias que compõem esse grupo, que inclui mutações nos genes MTM1, DNM2, BIN1 e RYR1.
• O gene RYR1 está associado a um espectro de doenças musculares conhecidas como Doenças Relacionadas ao RYR1 ou RYR1-DR, sendo a forma Centronuclear apenas uma das possíveis manifestações, juntamente com a Miopatia Central Core (MCC), e outras.
Embora não haja um número específico de prevalência para a Miopatia Congênita Centronuclear causada pela mutação no RYR1, podemos contextualizar com base nas informações disponíveis para as condições relacionadas:
• No grupo da Miopatia Congênita Centronuclear (MCCN) em geral, a prevalência geral do grupo é desconhecida. A forma mais comum dentro deste grupo é a Miopatia Miotubular (ligada ao X) causada por mutações no gene MTM1, cuja incidência é estimada em cerca de 1 em 50.000 indivíduos do sexo masculino.
• No grupo das Doenças Relacionadas ao RYR1 (RYR1-DR) em geral, a doença mais frequentemente associado é a Miopatia Central Core (MCC), que é a forma mais comum de miopatia congênita não distrófica.
Um estudo de uma série pediátrica na Espanha estimou a incidência de Miopatias Relacionadas ao RYR1, que abrange a Centronuclear e a Central Core, se mostra em cerca de 1 em 10.000 nascidos vivos na área de estudo.
Em síntese, a mutação no gene RYR1 está associada a um fenótipo de ocorrência rara. A prevalência específica do subtipo Centronuclear (MCCN) ainda não foi estabelecida de forma isolada na literatura médica, sendo considerada extremamente baixa. Entretanto, não há consenso atual sobre classificá-la como no grupo de Doenças Raras ou no grupo de Doenças Ultrarraras.
Diante de uma doença, desenvolver uma rede de apoio, tendo pessoas ao seu redor que possam fornecer suporte, é fundamental e faz uma grande diferença na sua jornada desafiadora de enfrentamento e recuperação.
Emocionalmente, uma rede de apoio pode oferecer conforto e encorajamento, ajudando a reduzir o estresse e a ansiedade que muitas vezes acompanham uma pessoa que vive uma doença. Ter alguém com quem você possa desabafar, compartilhar as preocupações e medos, ou simplesmente ter alguém que possa ouvir pode ser algo sensivelmente reconfortante.
Além disso, uma rede de apoio também pode fornecer suporte prático, com a ajuda nas tarefas diárias, como cuidar da casa ou realizar atividades que a pessoa doente não consegue fazer sozinho. Ter alguém para ajudá-lo nessas tarefas pode aliviar parte do peso e permitir que você se concentre em sua recuperação.
Uma rede de apoio também pode ajudar o paciente a ter acesso a informações e recursos. Seus membros podem estar bem informados sobre a doença em questão, tratamentos disponíveis, especialistas médicos e outros recursos úteis. Eles podem ajudá-lo a entender melhor sua doença e fornecer orientações sobre os próximos passos a serem tomados.
A família desempenha um papel fundamental como rede de apoio durante momentos de doença. Quando um membro da família adoece, é natural que os outros membros se unam para oferecer suporte emocional, físico e prático. É importante lembrar que uma rede de apoio não precisa ser composta apenas por familiares. Amigos próximos, colegas de trabalho, grupos de apoio ou até mesmo profissionais de saúde podem fazer parte dessa rede essencial.
Desenvolver essa rede de apoio requer comunicação aberta e honesta. Compartilhe com as pessoas ao seu redor sobre sua situação e as necessidades específicas que você tem. Não tenha medo de pedir ajuda ou expressar suas emoções. As pessoas geralmente estão dispostas a ajudar, mas podem não saber como, a menos que você as informe.
Portanto, não subestime a importância de desenvolver uma rede de apoio durante uma doença. Essa rede pode ser uma fonte valiosa de apoio emocional, prático e informativo, ajudando você a enfrentar os desafios e a se recuperar mais rapidamente.
Por fim, escrever sobre se ter uma REDE DE APOIO a seu favor em meio a uma doença é um tema em que tenho propriedade como experiência durante toda minha vida, em que vivo afetado por uma doença chamada Miopatia Congênita Centronuclear, "doença rara", sem cura, nem tratamento, e com caracteristica de progressividade. Na esteira de importância de uma rede de apoio, poderia listar o alivio de estresse e a ansiedade, é sentir suportado, reconfortado, e compreendido, é sentir que não se está sozinho, e que junto com outras pessoas se sente mais forte e capaz de enfrentar qualquer desafio.