O entendimento das pessoas evolui à medida que a ciência avança, e novas descobertas são feitas. Nesta dinâmica, o avanço médico e científico ao longo dos últimos anos teve um impacto significativo no diagnóstico e na percepção médica sobre as doenças.

Com o desenvolvimento de novas tecnologias, métodos de pesquisa e compreensão biológica, o conhecimento genético avançou de maneira notável, especialmente após se ter conseguido fazer o o mapeamento do genoma humano. Agora, através do resultado genético é possível não só diagnosticar uma doença, mas entender seu impacto no indivíduo, e adaptar as abordagens com base no perfil genético de cada paciente.

Nestes meus mais de 60 anos, senti na pele essa grande reviravolta na ciência, no que diz respeito ao conhecimento médico e diagnóstico da minha doença. Vivi até meus 44 anos, com vários diagnósticos errados, abordagens diferentes, até que tive finalmente o diagnóstico sobre a doença que me afeta, a Miopatia Congênita Centronuclear (MCC). Essa doença é causada pela mutação no gene RYR1, não tem cura, nem tratamento. Apesar da dureza sobre as informações sobre a doença, ter o diagnóstico de certa forma me trouxe uma “espécie de alívio“. O RYR1 é responsável pelo controle do fluxo de íons de cálcio para dentro da célula muscular, que faz o músculo contrair e relaxar.

Naquela época, o resultado histológico, feito por uma biópsia muscular, era tido como sendo uma informação importante no diagnóstico, e acompanhamento clínico, porque através dele podia-se saber e diferenciar se o indivíduo era afetado por exemplo, por Miopatia Congênita Centronuclear (MCN), Miopatia Central Core (MCC), Doença Multi-Minicore (DMm), ou Desproporção Congênita do Tipo de Fibra (DCTF). Aconteceu que através de minha vivencia em meio ao pequeno mundo dos afetados por essa doença, pude ver diferentes pessoas afetadas por MCN com a evolução diferente, assim como comparados com indivíduos em pior condições físicas em relação a um outro com MCC, ou DCTF, da mesma verificando também no inverso.

O avanço das técnicas de diagnóstico genético, nos trouxe uma mudança significativa, permitindo identificar diretamente variantes no gene RYR1, possibilitando uma visão mais precisa e específica da doença. Essa abordagem é preferível porque pode confirmar a presença de alterações no gene, mesmo na ausência de características histopatológicas distintivas, permitindo uma melhor orientação do prognóstico e o acompanhamento clínico do paciente.

Passado um tempo, descobri que no diagnóstico da doença, a histologia não tem um papel tão relevante quanto anteriormente, mas sim a herança e variação genética, em que é separado as formas recessivas e dominantes. Clinicamente observa-se evolução clínica com quadros mais graves em indivíduos com herança recessiva.

Em recente conversa com Michael F. Goldberg, MD, MPH, Presidente do Conselho, Co-Presidente de Pesquisa e Co-Fundador da @theryr1foundation, ele me disse: “Casos recessivos de RYR-1 tendem a ser mais graves quando associados a variantes do gene RYR1 resultando em expressão reduzida da proteína receptora RYR-1. As formas dominantes tendem a ser menos graves porque essas variantes geralmente não resultam em quantidades reduzidas da proteína receptora RYR-1. Os diagnósticos histopatológicos derivados da biópsia muscular (por exemplo, Centronuclear, Central Core, ou DCTF, etc.) não parecem ser muito informativos e não são específicos para fenótipos específicos mesmo para RYR1. Portanto, houve um afastamento do diagnóstico histopatológico e uma ênfase maior no diagnóstico genético .”

Em resumo, os diagnósticos histopatológicos obtidos a partir de biópsias musculares, como Centronuclear, Central Core, Desproporção Congênita do Tipo de Fibra, ou Multi Mini Core, não são muito informativos, e não são específicos para certos fenótipos. Isso levou a uma mudança para um maior enfoque no diagnóstico genético, que é mais preciso e informativo. Esse avanço no entendimento científico, permitiu a identificação e conhecimento das variantes genéticas, e sua relação com a gravidade das doenças associadas ao gene RYR1, crucial para um diagnóstico eficaz, e para o desenvolvimento de abordagens adequadas ao paciente.

As doenças musculares são aquelas que afetam a estrutura e funcionamento do músculo, sendo as principais:  as distrofias musculares, as miopatias congênitas, as miopatias inflamatórias e as miopatias endócrinas e metabólicas. É importante destacar que cada uma delas possui suas variações que também se diferenciam.

Essas doenças já foram muito confundidas em diagnósticos no passado, e fico triste, porque isso ainda tem acontecido nos dias de hoje, mesmo com os avanços científicos. A única razão que acredito ser ainda a causa para essa confusão nesses diagnósticos seria por essas doenças serem consideradas “doenças raras”, portanto, muitas vezes desconhecidas por parte da comunidade médica.  Assim, pode haver a falha no momento dos exames clínicos, ponto inicial para diagnóstico de qualquer doença.

Eu mesmo vivi uma experiência dessa, pois no decorrer de grande parte da minha vida eu recebi vários “diagnósticos” de Distrofia Muscular Congênita (DMC) do tipo: Duchenne, Facioescapuloumeral e Cinturas. E, os prognósticos foram do pior a até o mais brando. Estes diagnósticos ou hipóteses de diagnósticos vieram até de importantes instituições, como de uma clínica indicada pelo MDA (Muscular Distrophy Association), maior referência ligada a essa doença. 

Deve-se levar em consideração que, naquela época, pouco se sabia sobre essa doença, nem tão pouco sobre a genética humana; contudo, um erro de diagnóstico hoje em dia seria inaceitável. Essa situação causou em mim grandes transtornos, de emocional aos físicos. Somente aos 44 anos de idade foi que finalmente obtive meu correto e “definitivo diagnóstico”, ou seja, de que sou portador de Miopatia Congênita Centronuclear (MCC), causada pela mutação no gene RYR1.

A Distrofia Muscular Congênita e a Miopatia Congênita Centronuclear apresentam várias características em comum,  tais como: são doenças de origem genética, afetam os músculos esqueléticos, caracterizam-se clinicamente por hipotonia e fraqueza muscular, geralmente apresentam-se  desde o nascimento,  têm curso clínico estático ou lentamente progressivo.  Essas doenças não tem cura, e o tratamento envolve terapia de suporte, como fisioterapia, dispositivos de mobilidade e, em alguns casos, medicamentos. Mesmo assim, as duas doenças neuromusculares diferem entre si.

Daí, eu volto com a questão sobre as falhas nos diagnósticos, já que muitos médicos se prendem somente ao resultado do exame genético e não conhecerem os sinais clínicos das diferentes doenças  e particularidades dos indivíduos afetados. 

Assim, essas noções devem ser levadas em consideração por três razões: Primeiro, muitas das miopatias congênitas podem ser causadas por mutações em mais de um gene, o que sugere um impacto da heterogeneidade genética. Segundo, mutações no mesmo gene podem causar diferentes patologias musculares. Terceiro, a mesma mutação genética pode levar a diferentes características patológicas e sintomatológicas em membros da mesma família ou no mesmo indivíduo em idades diferentes.

Em resumo, eu destacaria que tanto a Distrofia Muscular,  quanto a Miopatia Congênita Centronuclear são de origem genética, mas distintas em termos de suas características clínicas e podem variar em gravidade de pessoa para pessoa. Enquanto a Distrofia Muscular envolve a degeneração progressiva dos músculos devido a problemas na estrutura das proteínas musculares, a Miopatia Congênita Centronuclear é caracterizada por uma anormalidade na localização dos núcleos das células musculares. Assim, é importante consultar um médico especialista para um diagnóstico preciso, para que se possa ser feito um acompanhamento adequado do caso, pois o tratamento pode variar dependendo da condição clínica específica de cada indivíduo.

DOENÇAS RELACIONADAS AO RYR-1 É UM TERMO “GUARDA-CHUVA”, OU SEJA, QUE ABRANGE ALGUMAS DIFERENTES DOENÇAS MUSCULARES

As doenças relacionadas ao RYR1 são raras, e classificadas como doenças órfãs , “órfãs”, se trata de um termo usado para identificar uma doença que afeta uma pequena percentagem da população. A verdadeira prevalência dessas doenças é difícil de calcular, pois muitos casos são mal diagnosticados ou não diagnosticados. Também há relatos de prevalência ligeiramente aumentada em certas populações étnicas e geográficas.

As doenças relacionadas ao RYR1 são devidas a uma mutação ou mutações no gene RYR-1. Na prática, podemos sintetizar o processo de mutação da seguinte maneira: o gene RYR-1 codifica o receptor RYR-1, o qual é um canal de cálcio no retículo sarcoplasmático do músculo esquelético; o fluxo de cálcio através do receptor RYR-1 é um componente crítico para a excitação-contração muscular. Uma mutação no gene RYR-1 pode alterar o número, estrutura e/ou função do receptor RYR-1, podendo assim desencadear uma ampla gama de sintomas, e consequências clínicas diferentes, que podemos chamar de doenças relacionadas ao RYR1.

Historicamente, indivíduos com RYR1-RD eram diagnosticados com base em características da biópsia muscular, como núcleos centrais, bastonetes e desproporção do tipo de fibra, embora essas características não sejam exclusivas da RYR1-RD e possam mudar ao longo do tempo. Com o surgimento de mais doenças ligadas a variantes do RYR1 — como a síndrome de King-Denborough, rabdomiólise induzida por exercício e miopatias de início na idade adulta, a sobreposição diagnóstica aumentou. Por isso que para abranger a crescente gama de condições ou doenças relacionadas ao RYR1, incluindo casos de início na idade adulta recém-identificados, foi sugerido o uso do termo “doenças relacionados ao RYR1 (RYR1-RD)” como uma nomenclatura unificada para esse complexo espectro de doenças.

“Doenças Relacionadas ao RYR1 – RYR1-RD” é um termo abrangente que engloba uma gama de subtipos relacionados ao RYR1 que afetam o sistema neuromuscular em humanos. O Orphanet, ( https://www.orpha.net/ ) banco de dados europeu de doenças raras, lista diversas condições relacionadas ao gene RYR1 (figura a seguir):

Alguns pesquisadores classificam as doenças relacionadas ao RYR1 em vários subtipos com base nos seguintes critérios:

Achados de biópsia muscular (histopatologia):

Sintomas (fenótipo clínico):

Interações fármaco-gene (farmacogenética):

 

Os sintomas das doenças relacionadas ao RYR1 geralmente estão presentes desde o nascimento (congênitas) ou aparecem na primeira infância e podem ser estáticos, dinâmicos ou uma combinação de ambos. Os sintomas estáticos (presentes o tempo todo) incluem fraqueza muscular, atraso motor, dificuldades para andar e subir escadas, escoliose, fraqueza muscular facial e fraqueza muscular ocular (oftalmoparesia). Os sintomas dinâmicos (que aparecem e desaparecem com base em certos gatilhos) incluem doenças relacionadas ao calor, degradação muscular induzida por exercício (rabdomiólise), dor muscular (mialgia), cãibras musculares e fadiga.

 

As variantes do RYR1 também são a principal causa de suscetibilidade à hipertermia maligna (SHM), representando >60% dos casos. A hipertermia maligna (HM) é uma reação potencialmente fatal que ocorre em indivíduos suscetíveis após exposição a anestésicos voláteis ou relaxantes musculares despolarizantes, os quais desencadeiam um rápido aumento da temperatura corporal (hipertermia) e degradação muscular (rabdomiólise). As reações de HM são tratadas com o medicamento dantroleno.

 

Os sintomas apresentados por indivíduos com doenças relacionadas ao gene RYR1 podem ser bastante variáveis; no entanto, o curso da doença geralmente não é progressivo ou é muito lentamente progressivo. A expectativa de vida é geralmente normal em indivíduos afetados e o desenvolvimento cognitivo não é afetado. Embora não haja cura ou tratamento aprovado para doenças relacionadas ao gene RYR1, estratégias de suporte, incluindo fisioterapia, podem ajudar a controlar as limitações funcionais e promover uma alta qualidade de vida.

 

Como dito anteriormente, as Doenças Relacionadas a RYR-1 (RYR-1-RD) engloba diferentes tipos de doenças relacionados ao RYR1, e é também demonstrado como um termo “guarda-chuva” se referindo às suas subdivisões.

Miopatia Central Core - Central Core Disease (CCD)

 

 

Miopatia Central Core - Central Core Disease (CCD)

Descrita pela primeira vez por Magee e Shy em 1956. A DNC geralmente é herdada de forma dominante. Quando observadas ao microscópio, as fibras musculares com DNC apresentam coloração escura, mas também áreas claras no meio das fibras, que não são coradas. Essas áreas claras representam a ausência de atividade mitocondrial. As mitocôndrias são as estruturas responsáveis ​​pela geração de energia para a célula.

A Miopatia Central Core (CCD) causa fraqueza muscular de leve a muito grave; no entanto, a maioria dos indivíduos afetados apresenta fraqueza muscular leve e persistente, que pode piorar com o tempo. Essa fraqueza afeta os músculos próximos ao tronco (músculos proximais), particularmente na parte superior das pernas e nos quadris. A fraqueza muscular também pode fazer com que os bebês afetados pareçam "flácidos" e resultar em atraso no desenvolvimento motor, como sentar, ficar em pé e andar. Bebês gravemente afetados apresentam tônus ​​muscular profundamente fraco (hipotonia), resultando em dificuldades de alimentação e problemas respiratórios graves ou com risco de vida. A CCD também está associada a anormalidades esqueléticas, como curvatura excessiva da coluna vertebral (escoliose), luxação do quadril e deformidades articulares chamadas contraturas, que restringem o movimento de certas articulações. Indivíduos com CCD geralmente conseguem andar durante toda a vida.

 

Doença Multiminicore (MmD)

Doença Multiminicore (MmD) foi descrita pela primeira vez como doença multicore por Engel e colaboradores em 1971. A MmD é herdada de forma recessiva e causa fraqueza muscular e problemas de saúde relacionados, que variam de leves a potencialmente fatais. Quando observadas ao microscópio, as fibras musculares da MmD apresentam coloração escura, mas também várias áreas claras dentro de cada fibra muscular, sem coloração, resultando em uma aparência "roída por traças". Assim como na CCD, essas áreas sem coloração representam a ausência de atividade mitocondrial. Em geral, a MmD causa sintomas mais graves do que a CCD. Os pesquisadores identificaram quatro formas distintas de MmD:

Forma clássica: a forma mais comum, associada à fraqueza muscular no pescoço (axial) e tronco, com início na infância ou no início da infância, curvatura anormal da coluna vertebral (escoliose), comprometimento respiratório e hiperlaxidão (aumento da flexibilidade) das articulações dos membros.

Forma oftalmoplégica: associada à paralisia ou fraqueza dos músculos oculares, com fraqueza muscular generalizada e fraqueza facial grave.

Forma de início precoce: associada à artrogripose (contraturas articulares desde o nascimento).

Forma lentamente progressiva: associada ao comprometimento dos músculos das mãos.

A fraqueza muscular faz com que os bebês afetados pareçam "flácidos", com tônus ​​muscular fraco (hipotonia), resultando em atraso no desenvolvimento motor, como sentar, ficar em pé e andar. A rigidez da parede torácica e da coluna vertebral também está associada à MmD. Quando combinada com a fraqueza dos músculos necessários para a respiração, podem ocorrer problemas respiratórios graves ou com risco de vida. Quase todas as crianças com MmD desenvolvem uma curvatura anormal da coluna vertebral (escoliose), que surge durante a infância e piora progressivamente com o tempo.

 

Miopatia Congênita Centronuclear - Centronuclear Myopathy (CNM)

A Miopatia Congênita Centronuclear (CNM) foi descrita pela primeira vez por Spiro e colaboradores em 1966, a MCN é herdada de forma recessiva. Ao serem examinadas ao microscópio, as fibras musculares da CNM apresentam núcleos (estruturas que contêm cromossomos) localizados no centro das fibras musculares, em vez de na periferia. Esse achado na biópsia muscular também foi identificado em diversas outras doenças neuromusculares genéticas, incluindo miopatias relacionadas aos genes MTM1, BIN1 e DNM2.

A Miopatia Congênita Centronuclear (CNM) pode causar fraqueza muscular em qualquer fase da vida, desde o nascimento até o início da idade adulta. Essa fraqueza muscular pode levar a atrasos no desenvolvimento motor (engatinhar ou andar) e pode ser progressivamente lenta. Alguns indivíduos afetados podem necessitar de cadeira de rodas logo na infância. Outros sintomas incluem problemas respiratórios de leves a graves, queda da pálpebra superior (ptose), fraqueza dos músculos faciais, anormalidades nos pés, palato ogival (céu da boca alto) e curvatura anormal da coluna vertebral (escoliose) .

 

Desproporção Congênita do Tipo de Fibra - Congenital Fiber - Type Disproportion (CFTD)

A Desproporção congênita do tipo de fibra muscular (CFTD) foi escrita pela primeira vez por Brooke e colaboradores em 1969, e é herdada de forma recessiva. Quando observada ao microscópio, o tecido muscular com CFTD apresenta fibras musculares do tipo 1 (contração lenta) que são consistentemente menores do que as fibras musculares do tipo 2 (contração rápida).

A Desproporção congênita do tipo de fibra muscular (CFTD) causa fraqueza muscular, particularmente nos músculos dos ombros, braços, quadris e coxas. A fraqueza também pode afetar os músculos faciais, os músculos extraoculares que controlam o movimento dos olhos (oftalmoplegia) e os músculos da pálpebra superior (ptose). Indivíduos com CFTD geralmente apresentam rosto alongado, palato ogival e dentes apinhados. Os indivíduos afetados podem apresentar deformidades articulares (contraturas) e uma curvatura anormal da região lombar (lordose) ou uma curvatura lateral da coluna vertebral (escoliose). Aproximadamente 30% das pessoas com CFTD apresentam problemas respiratórios leves a graves relacionados à fraqueza dos músculos necessários para a respiração. Algumas pessoas que apresentam esses problemas respiratórios necessitam do uso de um aparelho para auxiliar na regulação da respiração à noite e, ocasionalmente, também durante o dia. Cerca de 30% dos indivíduos afetados têm dificuldade para engolir devido à fraqueza muscular na garganta. Raramente, pessoas com essa condição apresentam enfraquecimento e aumento do músculo cardíaco (cardiomiopatia dilatada). Variantes genéticas causadoras de CFTD também foram identificadas em outros genes, como ACTA1, TPM3 e SELENON.

 

Suscetibilidade a Hipertermia Maligna - Malignant Hyperthermia Susceptibility (MH)

Indivíduos sensíveis à Hipertermia Maligna (MH) podem experimentar uma vida diária normal sem qualquer sintoma ou fraqueza muscular. No entanto, quando expostos a certos agentes anestésicos, os pacientes podem experimentar um episódio de Hipertermia Maligna. A Hipertermia Maligna caracteriza-se por um estado hipermetabólico, causando um aumento anormal do calor, com rigidez excessiva e quebra muscular associada, e aumento da frequência cardíaca. As complicações graves da HM incluem: lesão cerebral, sangramento interno, parada cardíaca e/ou falência de múltiplos órgãos. As complicações cardiovasculares associadas podem ser fatais. Qualquer indivíduo com uma mutação(ões) do RYR-1, se a anestesia for necessária para um procedimento médico-cirúrgico, é aconselhado a tomar "precauções contra hipertermia maligna". Indivíduos com mutações RYR-1 suscetíveis a MH também correm risco de rabdomiólise, bem como outras dores e cãibras musculares relacionadas ao calor e ao esforço. Rabdomiólise é o termo geral para ruptura muscular associada a uma ampla variedade de gatilhos externos, incluindo: exercícios extenuantes além do limite de fadiga, abuso de drogas ou álcool, uso de suplementos ou certos medicamentos, doença viral recente ou trauma muscular. Os sinais e sintomas da rabdomiólise incluem dor muscular intensa, elevação repentina e queda subseqüente dos níveis séricos de creatina fosfoquinase (CPK) e produtos da quebra muscular na urina ("mioglobinúria"). O curso da rabdomiólise é caracterizado principalmente por mialgia (dor muscular) com aumentos leves a moderados da CPK. Nesses casos leves, muitos indivíduos não procuram atendimento médico. No entanto, em alguns o curso clínico é grave, resultando em hiper-CK-emia profunda, insuficiência renal aguda, síndrome do compartimento, coagulação intravascular disseminada, arritmias cardíacas secundárias a desequilíbrios eletrolíticos e, possivelmente, parada cardíaca se não tratada. Portanto, indivíduos com mutações no RYR-1, especialmente aquelas conhecidas por estarem associadas à suscetibilidade ao HM, devem estar cientes dos gatilhos da rabdomiólise e podem querer consultar um médico antes do início de um regime de exercícios e/ou esportes. Pode haver um papel do dantroleno como agente profilático na prevenção da rabdomiólise e de outros sintomas musculares relacionados ao esforço e ao calor.

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